terça-feira, 4 de agosto de 2009


Despedida


Adeus,

que é tempo de marear!


Por que procuram pelos olhos meus

rastros de choro,direções de olhar?


Quem fala em praias de cristal e de ouro,

abrindo estrelas nos aléns do mar?

Quem pensa num desembarcadouro?

- É hora, apenas, de marear.


Quem chama o sol?

Mas quem procura o vento?

e âncora? e bússola? e rumo e lugar?

Quem levanta do esquecimento

esses fantasmas de perguntar?


Lenço de adeuses já perdi...Por onde?

- na terra, andando, e só de tanto andar...

Não faz mal. Que ninguém responde

a um lenço movido no ar...


Perdi meu lenço e meu passaporte

- senhas inúteis de ir e chegar.

Quem lembra a fala da ausência

num mundo sem correspondência?


Viajante da sorte na barca da sorte,

sem vida nem morte...


Adeus,

que é tempo de marear!


Cecília Meireles

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