quarta-feira, 9 de junho de 2010

Ironia do tempo

Que ironia tem o tempo misterioso,
Que diz que passa velozmente sempre andando,
Mas afinal esse tempo é mentiroso,
Porque ele fica e a gente é que vai passando!...

Euclides Cavaco

domingo, 6 de junho de 2010

"Não desças os degraus do sonho

Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos, onde
Os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo..."


(Mário Quintana)

sábado, 5 de junho de 2010

Tempos Modernos

Lulu Santos
Composição: Lulu Santos

Eu vejo a vida
Melhor no futuro
Eu vejo isso
Por cima de um muro
De hipocrisia
Que insiste
Em nos rodear...


Eu vejo a vida
Mais clara e farta
Repleta de toda
Satisfação
Que se tem direito
Do firmamento ao chão...

Eu quero crer
No amor numa boa
Que isso valha
Pra qualquer pessoa
Que realizar, a força
Que tem uma paixão...


Eu vejo um novo
Começo de era
De gente fina
Elegante e sincera
Com habilidade
Pra dizer mais sim
Do que não, não, não...


Hoje o tempo voa amor
Escorre pelas mãos
Mesmo sem se sentir
Não há tempo
Que volte amor
Vamos viver tudo
Que há pra viver
Vamos nos permitir...


James Browne

Solidão
Alceu Valença

A solidão é fera, a solidão devora.
É amiga das horas prima irmã do tempo,
E faz nossos relógios caminharem lentos,
Causando um descompasso no meu coração.


A solidão dos astros;
A solidão da lua;
A solidão da noite;
A solidão da rua.

 

Vento No Litoral

Composição: Renato Russo

De tarde quero descansar
Chegar até a praia e ver
Se o vento ainda está forte
E vai ser bom subir nas pedras
Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando tudo embora...

Agora está tão longe, vê
A linha do horizonte me distrai:
Dos nossos planos é que tenho mais saudade
Quando olhávamos juntos
Na mesma direção
Aonde está você agora,
Além de aqui, dentro de mim?


Agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou
Vai ser difícil sem você
Porque você está comigo o tempo todo
E quando vejo o mar
Existe algo que diz
Que a vida continua e se entregar é uma bobagem
Já que você não está aqui
O que posso fazer
É cuidar de mim
Quero ser feliz ao menos
Lembra que o plano era ficarmos bem?
Ei, olha só o que eu achei: cavalos-marinhos...


Sei que faço isso pra esquecer
Eu deixo a onda me acertar
E o vento vai levando tudo embora...

Cássia Eller

Carioca, filha de militar, Cássia Eller nasceu em 10 de dezembro de 1962. Morou em várias cidades do Brasil, mas foi em Brasília, aos 18 anos, que decidiu seguir a carreira de cantora. Começou a cantar em coral, fez testes para musicais e trabalhou em duas óperas.


Foi cantora em um grupo de forró, cantou frevo, tocou surdo numa escola de samba e participou do primeiro trio-elétrico de Brasília, o Massa Real, por dois anos, mas nunca negou que sua grande vontade era ser cantora de ópera.

Em 1990, Cássia grava uma fita demo com a música “Por Enquanto” enviado para a gravadora Polygram, a qual contrata a cantora e, no mesmo ano, lança seu primeiro disco: “Cássia Eller”.
Foram, ao todo, 10 discos e uma carreira de 12 anos, interrompida em dezembro de 2001 pela morte da cantora aos 39 anos. Cássia deixou um filho, Francisco.

Texto:www.muitamusica.com.br

Deixou muita gente (inclusive eu) com um imenso vazio musical.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Caio Fernando Abreu

Wladimir Kush

Quando você sente saudade demais de uma pessoa, então começa a vê-la nas outras, em todos os lugares, de costas, por um jeito de andar, de sorrir ou virar a cabeça de lado.

Quando se deseja realmente dizer alguma coisa, as palavras são inúteis. Remexo o cérebro e elas vêm, não raras, mas toneladas. Deixam sempre um gosto de poeira na boca - a poeira do que se tentava expressar, e elas dissolveram.



Eu quero um colo, um berço, um braço quente em torno ao meu pescoço, uma voz que cante baixo e pareça querer me fazer chorar. eu quero um calor no inverno, um extravio morno de minha consciência e depois sem som, um sonho calmo, um espaço enorme, como a lua rodando entre as estrelas...


Lisa Falson

terça-feira, 1 de junho de 2010


Cântico VI

Tu tens um medo:
Acabar.
Não vês que acaba todo o dia.
Que morres no amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que te renovas todo o dia.
No amor.
Na tristeza.
Na dúvida.
No desejo.
Que és sempre outro.
Que és sempre o mesmo.
Que morrerás por idades imensas.
Até não teres medo de morrer.


E então serás eterno.

Cecília Meireles
Poema de Natal

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.
 
Vinicius de Moraes

Verdade

A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.

Carlos Drummond de Andrade

domingo, 30 de maio de 2010

Leveza

Leve é o pássaro:
e a sua sombra voante,
mais leve.

E a cascata aérea
de sua garganta,
mais leve.
E o que lembra, ouvindo-se
deslizar seu canto,
mais leve.
E o desejo rápido
desse mais antigo instante,
mais leve.
E a fuga invisível
do amargo passante,
mais leve.


Cecília Meireles

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Mensagem a um desconhecido

Teu bom pensamento longínquo me emociona.
Tu, que apenas me leste,
acreditaste em mim, e me entendeste profundamente.

Isso me consola dos que me viram,
a quem mostrei toda a minha alma,
e continuaram ignorantes de tudo que sou,
como se nunca me tivessem encontrado.

Fevereiro, 1956
Cecília Meireles
In: Poesia Completa
Dispersos (1918-1964)

Som divino!!!


Loreena Isabel Irene McKennitt (Morden, 17 de fevereiro de 1957) é uma cantora canadense. Compositora, pianista e harpista, além de muitos outros dotes artísticos, Loreena é conhecida pelo seu estilo de música new age, celta eclético, com tendências do Médio Oriente. Loreena é bem conhecida por seus vocais de sopranos. Seu som é relaxante e ao mesmo tempo estimulante, simplismente incrível.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Recadinho para alegrar pessoas-natureza...obrigada Rafa!

Muita natureza pra sua vida, pro seu coração.
Muitos passarinhos para sua janela
Muita canção.
Muito sol pro seu jardim
Muita flor pro seu quintal.
Muito jasmim.
Muito peixe na lagoa dos pensamentos
Muita água pra você
Muito vento.
Muito movimento pro seu corpo
Muitos obstáculos
Muito esforço.
Muito equilíbrio pra sua alegria
Muita paz pro seu espírito
Muita harmonia.
Muita energia pra suas decisões
Muita sabedoria
Muitas ações.
Muitas árvores pro seu caminho
Muita sombra
Muito vinho.
Muitos acasos pro seu destino
Muitas surpresas
Muitos caminhos.
Muita eternidade pra sua beleza
Muitos amigos
Muita NATUREZA!!!

Rafael (musgo de Araucária)

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Brian Froud



Ilustrador britânico nascido em 1947.

Na minha opinião o melhor de todos, suas fadas são expressivas assim como todos seus elementais.
Divino!








 

“Durante anos procuramos encontrar alguém que nos compreenda, alguém que nos aceite como somos, capazes de nos oferecer a felicidade, apesar das duras provas. Apenas ontem descobri que esse mágico alguém é o rosto que vemos no espelho.“

Richard Bach

terça-feira, 25 de maio de 2010

Pink Floyd

Wish You Were Here

So,
So you think you can tell
Heaven from Hell,
Blue skies from pain
Can you tell a green field
From a cold steel rail?
A smile from a veil?
Do you think you can tell?



Did they get you to trade
Your heroes for ghosts?
Hot ashes for trees?
Hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change?
Did you exchange
A walk on part in the war
For a lead role in a cage?



How I wish, how I wish you were hereWe're just two lost souls
Swimming in a fish bowl,
Year after year,
Running over the same old ground.
What have we found?
The same old fears
Wish you were here



Queria Que Você Estivesse Aqui



Então,
Então você acha que consegue distinguir
O paraíso do inferno
Céus azuis da dor
Você consegue distinguir um campo verde
de um frio trilho de aço?
Um sorriso de um véu?
Você acha que consegue distinguir?



Fizeram você trocar
Seus heróis por fantasmas?
Cinzas quentes por árvores?
Ar quente por uma brisa fria?
Conforto frio por mudança?
Você trocou
Um papel de coadjuvante na guerra
Por um papel principal numa cela?



Como eu queria, como eu queria que você estivesse aqui
Somos apenas duas almas perdidas
Nadando num aquário
Ano após ano
Correndo sobre este mesmo velho chão
O que encontramos?
Os mesmos velhos medos
Queria que você estivesse aqui 





Shine On You Crazy Diamond

Remember when you were young,
You shone like the sun.
Shine on you crazy diamond.
Now there's a look in your eyes,
Like black holes in the sky.
Shine on you crazy diamond.
You were caught on the crossfire
Of childhood and stardom,
Blown on the steel breeze.
Come on you target for faraway laughter,
Come on you stranger, you legend,
You martyr, and shine!


You reached for the secret too soon,
You cried for the moon.
Shine on you crazy diamond.
Threatened by shadows at night,
And exposed to the light.
Shine on you crazy diamond.
Well you wore out your welcome
With random precision,
Rode on the steel breeze.
Come on you raver, you seer of visions,
Come on you painter, you piper,
You prisoner, and shine!


Nobody knows where you are,
How near or how far.
Shine on you crazy diamond.
Pile on many more layers and
I'll be joining you there.
Shine on you crazy diamond.
And we'll bask in the shadow
Of yesterday's triumph,
And sail on the steel breeze.
Come on you boy child,
You winner and loser,
Come on you miner for truth and delusion,
and shine!



Brilhe seu Diamante Louco
Lembra quando você era novo?
Você brilhou como o sol.
Brilha-te Diamante Louco
Agora há um olhar em seus olhos
Como buracos negros no céu,
Brilhe, diamante louco
Você foi surpreendido pelo fogo cruzado
Da infância e do estrelato
Fundido na brisa de aço.
Venha, mire para depois rir
Venha, desconhecido, sua lenda,
seu mártir, e brilhe!


Você alcançou o segredo cedo demais,
Você chorou para a lua.
Brilhe, diamante louco.
Ameaçado pelas sombras da noite,
E exposto a luz.
Brilha-te Diamante Louco
Bem, você expôs suas boas vindas
Com precisão aleatória,
Cavalgue na brisa de aço.
Vindo em você raiva, você visionário,
Venha pintor, em você flautista,
Seu prisioneiro, e brilhe!


Ninguém sabe onde você está,
Quão perto ou longe.
Brilhe, diamante louco.
Empilhe mais algumas camadas
E estaremos nos unindo lá.
Brilhe, diamante louco.
E nós nos aqueceremos na sombra
Do triunfo de ontem,
E veleje na brisa de aço.
Venha menino,
Ganhador e perdedor,
Venha mineiro da verdade e da ilusão,
E brilhe!

segunda-feira, 24 de maio de 2010



O meu maior desejo hoje e sempre se resume em "SAÚDE"!

"Em geral, nove décimos da nossa felicidade baseiam-se exclusivamente na saúde. Com ela, tudo se transforma em fonte de prazer."

Arthur Schopenhauer

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Cinema: Desejo e Reparação (2008)



Baseado na obra do escritor inglês Ian McEwan, o longa conta a história de um mal-entendido que toma proporções gigantescas, sai de controle e destrói uma família. Keira Knightley é Cecília Tallis, uma jovem que vive um romance sorrateiro com Robbie Turner (James McAvoy), filho da empregada da mansão que vive.
A relação próxima dos dois desperta a curiosidade, assim como o ciúme, da irmã caçula de Cecília, Briony (Saoirse Ronan). O casal tenta manter as aparências, fingindo que não se dá, mas a estratégia vai por água abaixo quando Robbie manda Briony levar uma carta à irmã. Ele havia feito um rascunho quase pornográfico e se confunde na hora de colocar a mensagem no envelope. A menina lê tudo e fica perturbada.





Como se não fosse suficiente, ela flagra os dois transando, e acredita que o rapaz está forçando sua irmã a fazer algo que ela não queria. Uma terceira confusão ainda se instaura no casarão, e é suficiente para que Briony acabe denunciando Robbie por estupro.

O episódio destrói a vida do moço, que passa anos da cadeia e só consegue ser libertado para se juntar ao exército, durante a Segunda Guerra Mundial. Do outro lado, Cecília abandona sua casa e a família, corta relação com os pais, se recusa a falar com a irmã e passa a se dedicar ao trabalho de enfermeira, cuidando dos feridos de guerra e aguardando a volta de seu amado.




Apesar de todas as dificuldades, o casal ainda tenta ficar junto. O tempo passa, Briony cresce (e passa a ser interpretada por Romola Garai e Vanessa Redgrave), e o peso da culpa se torna insustentável. Ela começa, então, a procurar insistentemente a irmã e a tentar seu perdão. O roteiro, adaptado otimamente para o cinema por Christopher Hampton (premiado com o Oscar por ‘Ligações perigosas’, de 1988), caminha para um final tão emocionante quanto surpreendente.

domingo, 16 de maio de 2010

Caminho: faixa de terra sobre a qual se anda a pé. A estrada distingue-se do caminho não só por ser percorrida de automóvel, mas também por ser uma simples linha ligando um ponto a outro. A estrada não tem em si própria qualquer sentido; só têm sentido os dois pontos que ela liga. O caminho é uma homenagem ao espaço. Cada trecho do caminho é em si próprio dotado de um sentido e convida-nos a uma pausa. A estrada é uma desvalorização triunfal do espaço, que hoje não passa de um entrave aos movimentos do homem, de uma perda de tempo.

Antes ainda de desaparecerem da paisagem, os caminhos desapareceram da alma humana: o homem já não sente o desejo de caminhar e de extrair disso um prazer. E também a sua vida ele já não vê como um caminho, mas como uma estrada: como uma linha conduzindo de uma etapa à seguinte, do posto de capitão ao posto de general, do estatuto de esposa ao estatuto de viúva. O tempo de viver reduziu-se a um simples obstáculo que é preciso ultrapassar a uma velocidade sempre crescente.

Milan Kundera, in "A Imortalidade"